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2011/08/31

Uma casa nova....um ano depois.

Pois que não posto com frequência...Se o fizesse com certeza que o tinha feito há sensivelmente 13 meses atrás quando me mudei de casa. O Centro do Porto já há muito me chamava covarde por tanto o querer e nada por isso fazer. E assim, fiz o all-in.

É sempre giro escolher as coisas que vão ter lugar na tua nova casa quando ela está vazia...umas fotos aqui, uma mesa ali, o computador fica aqui assim... acolá na cozinha micro-ondas, máquina do café...até que de repente não há mais cantos por preencher, e a casa deixou de ser uma casa para ser uma extensão de mim. De mim e não só...há cá paus de chuva, bancos que são dados e baús de madeira que não são da minha responsabilidade, mas são meus por afinidade e gosto tanto deles como gostaria dos meus paus de chuva, se os tivesse, com certeza.

E como é engraçado viver em comunidade.
Metade do bairro partilha comigo a prisão que são os horários empresariais, outra metade toma conta do bairro, cada um do seu canto. Imagino que seja pacato durante as horas de trabalho, sei que venho almoçar a casa e vejo apenas os da velha guarda, os que cá nasceram, os que daqui ninguem os tira. Ao fim-de-semana, vêm as famílias, vêm os amigos, estendem-se as mesas e os toldos, põe-se música alta, faz-se churrascada. Vêm os emigrantes, vêm os estudantes, os estrangeiros, cada grupo com um conjunto de mesa, com o seu pedaço de terraço, e os gatos distribuídos proporcionalmente à comida presente no local.

Há mais gatos que pessoas a viver aqui, desconfio. Nunca ninguém apanha um gato a não ser que ele queira ser apanhado, tendo já o felino avaliado a situação como uma potencial situação de festinhas ou comida. Eles por aí andam, cada vez mais pachorrentos, sempre observando o que se vai passando no bairro, sempre à espera de uma churrascada, de uns restinhos.

Este ano começou da melhor forma, para mim, para ela e para o Bairro. Decidimos trazer para casa o Shake - o cão mais fixe do mundo. Se sempre sonhei ter um cão, nunca consegui imaginar que fosse um tão fixe. Antes de o ter pareceria-me inconcebível ter o amor que agora tenho por este cão. Dito isto, contam-se pelos dedos das mãos as vezes que o chamei e ele veio. É uns livre espírito? É certo. É feliz? Tenho a certeza que sim. Destroi tudo por onde passa? Poah.
...........Ganda Shake...... :) O meu Scooby-Doo.

E ela. A menina com quem partilho as 4 assoalhadas, a minha super-heroína.
Corre 40km por semana, e acaba sempre no mesmo sítio.
Adormece durante 2 horas e acordar a cada 5 minutos para pedir desculpa por ter adormecido;
A mulher que conseguiria sobreviver apenas de bróculos e grão-de-bico;
A menina do meu coração - a minha linda Magali.

Um ano depois olho para trás e escrevo aquilo que penso......E esta, eihn?





2009/11/04

A minha caixinha mágica

Existem acontecimentos raros...o alinhamento dos planetas do sistema solar, a passagem do cometa Halley, eclipses solares ou eu arrumar o meu quarto. Este último aconteceu recentemente.

Imagina que 80% das coisas em que peguei não arrumei, mas deitei fora. Pode-se mesmo dizer que não tinha o quarto desarrumado, mas sim sujo. Folhas, revistas, papeis, maços de tabaco vazios, canetas estragadas, tampas roídas, pedaços de cotão, peças de computador que já não funcionam, etc etc...É incrível a facilidade com que tive que fazer 4 viagens ao contentor para levar todos os sacos (sim, daqueles grandes) resultantes desta arrumação/limpeza.

Pois que no meio de tanto descarte, dei-me com uma caixa de plástico, minha velha conhecida.

Foi o único sítio do meu quarto onde achei que o pó ali estava merecidamente, e como tal, não limpei. A minha caixa de recordações, foi construida espontâneamente, a seu vagar, respeitando a paciência dos tempos, e é neste momento uma representação física da minha fragilizada memória.
É difícil pôr em palavras a hora que passei a olhar para cada um dos objectos ali dentro. Recordações tão comuns como fotos, postais, cartas, e tão bizarras como um molhe de chaves, uma folha de árvore, um gancho de cabelo. Numa hora, voltei a ser actor, aos corredores do lusó, saltei continentes, senti amores passados longínquos e recentes, voltei a ser agente secreto, o meu primeiro concerto, a minha primeira viagem, fui caçador, poeta, escritor, voltei a ter as ideias tolas e as fases parvas mas muito minhas, essas partes de mim..................numa hora só. Foi brutal! São as verdadeiras peças deste puzzle ainda incompleto. É como de repente olhar para a informação toda e pensar....está explicado.

Uma vantagem de nunca deitar nada fora, suponho.

Se ainda não tens nada que se assemelhe, começa já a empacotar pedaços da tua memória. Vale a pena.

2009/03/03

Os Deuses devem estar loucos........

......pensei eu, deparado com aquele cenário horrendo. Haviam passadas 2 horas que estava a queimar as últimas horas do dia em frente á televisão a meio gás, quando a Natureza chamou e tive que ir fazer o que ninguém pode fazer por mim. Ao virar a esquina para a recta final antes do quarto de banho, sinto uma humidade que não devia ali estar. Em volta dos meus pés e em quatro compartimentos da minha casa, 1 centímetro de água. Papeis que estavam no chão agora boiavam, os insectos que moravam no subsolo da minha cama agora afogados, os inúmeros fios que ligam o meu computador e toda a tecnologia que governa o meu quarto agora ameçados pelo que prometia tornar-se um tsunami em breve, não fosse a minha corajosa intervenção.

Fui confrontado com diferentes sentimentos, que reduziam a minha escolha sobre o que fazer em 3 opções:

1. Fugir dali e nunca mais voltar àquela casa,
2. Voltar ao sofá, acompanhado por um gelado e umas bolachinhas, e chorar a desgraça que me tinha acontecido até que a àgua eventualmente me afogasse também,
3. Manter a minha pele em contacto com a àgua, na esperança de ser eletrocutado, e sair deste filme.

Ainda em indecisão, fui interrompido por alguém que me disse: "Olha, e se limpássemos isto?". Normalmente esta pessoa só diz asneiras....Desta vez fiquei na dúvida: Parecia uma sugestão razoável e a verdade é que nunca pûs essa questão porque não sabia ser possível. Pensava que uma casa inundada, era para deitar fora e comprar outra. Resolvi experimentar...

Agora imagine-se: Eu, gente de boa família, de joelhos, mangas arregaçadas, durantes HORAS no seguinte algoritmo:
1. Molha o paninho
2. Torce o paninho no baldinho
3. Volta ao passo 1

Diga-se que a minha vontade era de escrever uma Epopeia sobre esta aventura, mas o tempo e as circustâncias não mo permitem. Todo este tempo, tive a ajuda duma moçoila que por um lado me motivou a não escolher nenhuma das minhas opções iniciais, por outro lembrava-me constantemente da figura ridícula que estava a fazer. No fim, ligaram-se os aquecedores, secadores e outros aparelhos eletricos acabadores em "ores" e foi-se ao merecido descanso. Mais uma vitória àrdua, suada, manchada de querer por um lado e humilhação pelo outro.

Mais tarde, viram os picheleiros. 15 minutos , 80 euros. "Ah, foi a bóia, e tal...".Parece fácil.
No fim das contas, só fica a pergunta: Porquê eu?

2009/01/29

Numa sala às 22:49

Encaixado na cadeira até às omoplatas, sem mais por onde procrastinar...O capuchinho vermelho ao meu lado a tentar ensinar-me o que não quero mais aprender e a ressabiar de stress...mas ri-se. O Rafael tenta falar, mas só lhe saem sons de esforço...O que estará a dizer? A minha mãe consola-o. O pai discute ao telefone com algum aliado mais uma estratégia de virar tudo ao contrário na direcção certa. Quando acabar, voltará certamente a atacar as teclas do computador. A minha mana mais velha entretida com a medicina chinesa, mas de olho no seu mais-que-tudo, que agora coça freneticamente um dos seus três dentinhos. E eu...aqui, a observar, passando pretensiosamente os dedos pela barba. Apesar da minha posição rebaixada, vejo tudo daqui. Estão todos a entreter-se e eu a entreter-me com eles.

Onde estará o meu irmão? Vou imaginar....

2009/01/28

A importância do acordar

A famosa transição de papeis forçada pelo despertador. Quando passamos de sonhadores, sem preocupações nem responsabilidades para trabalhadores com afazeres atrasados para a hora de pegar no dia. Já vezes sem conta foi explicado pelos especialistas a importância do que fazer antes de ir para a cama para garantir uma boa noite de sono. No entanto, pouco é dito sobre o acordar, salvo o especial ênfase na primeira refeição do dia.

Pois eis que me ponho no papel pouco merecido de perito em acordar, com uma estória. Hoje o meu pai tentou desligar o meu alarme, na esperança de apaziguar o furioso alarme dos bombeiros que é o meu despertador, e conseguiu apenas mudar de alarme para rádio. Assim o deixou, talvez porque estava com pressa ou porque gostou do que ouviu. É que, coincidência das coincidências, o meu radio estava sintonizado para uma estação de música clássica. Depois de uns abanões que a mim pareceram pontapés, o meu antecessor lá conseguiu que eu murmurasse qualquer coisa que o satisfizesse sobre o meu estado de lucidez, e foi. Ora eu, ainda debaixo dos cobertores e sem ter aberto ainda os olhos, senti a vontade extra de acordar que se sente sempre ao ouvir música clássica, ou seja, nenhuma. Verdade seja dita que o alarme dos bombeiros já estava mais a atrofiar os meus sonhos para algo psicadélico do que a tirar-me da cama. Assim, vi-me acordado duas horas mais tarde, mas muito mais bem disposto. Atrasado? Sim, mas com vontade de estar acordado.

Portanto vos digo, meus amigos:
Se vos levantais tarde, que seja bem dispostos. Não acordem cedo, acordem bem.
Se já estás atrasado, que seja bem atrasado. Muito atrasado e muitíssimo atrasado são falácias sugeridas pelos advérbios de quantidade. Chega calmo, sereno, recuperado e diz: 'Peço imensa desculpa pelo atraso' - com um sorriso...
A manhã é feita para acordar, digo eu. Se não a consegues vencer, junta-te a ela.

2009/01/20

Um dia como nenhum

Hoje acordei sem saber o que pensar... Tudo a que sempre aspirei, tudo o que alguma vez alguém aspirou tornar-se-á a minha realidade dentro de poucas horas. Dou por mim numa situação que poucas pessoas viveram. 43 pessoas para ser exacto. Sei os nomes todos de cor, o que fizeram, estudei os seus erros, mas não sei nada sobre eles como eles não sabem nada sobre mim.

A minha imagem política é o meu ser para todos menos aqueles que sabem que isso não é verdade. Será que o mundo não vê que sou apenas uma pessoa?

"I do solemnly swear that I will faithfully execute the office of President of the United States, and will to the best of my ability, preserve, protect and defend the Constitution of the United States."

Haverá mudança, com certeza. A minha vida de pernas para o ar.
Iraque, Economia, o Ambiente? Sim, isso também, se Deus quiser.

2009/01/15

Um Rio de promessa


Vou ao Rio de Janeiro em Fevereiro. Um contra-senso, eu sei, mas quando rima, não precisa de fazer sentido.

Ontem "peguei" ás nove e meia da manhã. Avistava um dia preguiçoso à minha frente...Quando o dia não promete nada, parece que o teclado fica perro. Cada tecla é uma decisão que tem que ser bem ponderada. De repente, um raio de luz...As férias que não podia tirar afinal tornam-se disponíveis..

- "Estive a rever o plano..." - diz o Luis - "e afinal, podes tirar férias em Fevereiro visto que..." - e a minha cabeça não mais captou. Afinal! As férias que prometi a mim mesmo aí estão, ao preço que a Ibéria me proporcionou. O Brasil está à minha espera e prevejo grande festa à minha chegada. Eles vão-lhe chamar Carnaval, mas eu sei que em grande parte é felicidade por me verem. O Homem transatlântico, o Carneiro de Portugal.

- " e portanto, o projecto..." - o Luis continuava a falar e eu a acenar a cabeça. Mas o meu pensamento ja tinha sido levado pela corrente do Rio. Imaginava o Samba, o Cristo Rei, Copacabana, Verão Sul-Americano, Cariocas, Bunda. Enquanto enumerava todas as palavras e conceitos relacionados que conheço, praticava mentalmente os termos brasileiros que um "gringo" normalmente conhece. "E aí, cara?", "Legal , galera", "Valeu,hein?". Acabado, reparei que o Luis já nem estava ali. Corri com o rato para o TerminalA.com e fechei o contracto.

Agora aceitam-se conselhos e comentários de inveja, para que possa partir informado e regozijar-me, respectivamente.

2009/01/04

Reveillon em Léon

Doí-me as costas, a garganta, os pés, o estômago, o fígado e as finanças. Mas valeu a pena. 17 em Léon, para celebrar a dobrar, levamos tinto, branco, jolas e brancas. A pensar que o Ano Novo era a passagem da meia noite, vi-me a celebrar os primeiros 2 dias de 2009 e o ultimo de 2008. Ficaram estórias moldadas para diferença do que os intervenientes se conseguem lembrar. Em espaço fechado e esfumaçado ou espaço aberto e gelado celebramos à grande e à portuguesa. Nas discos, copo numa mão, cigarro na outra...o primeiro brinde ao Ano Novo, segundo brinde ao primeiro brinde e assim sucessivamente...palmas para as meninas, que sabem bailar e fazer bailar, curte as luzes, pede mais um...Traz dois!

De cabeça nebulada, visão detorpada e andar incerto, voltavamos, animados pela certeza de ainda haver pelo menos uma loja de Kebabs aberta, que satisfizesse aquela fome de quem não pode beber mais. Como 2009, também o dia amanhecia....

No rescaldo, penso nas conclusões que tirei de tudo isto, e o que aprendi.

Nada me ocorre. Apenas que foi altamente.

2008/12/23

Chorume da Sociedade

Livres de inteligência, essa característica que só nos traz desvantagens..Como eu gosto de poder ser à margem da sociedade, sem consideração pelos outros. Tirar por tirar, porque está ali á mão de semear, porque não conheço outra maneira de o obter, porque não conheço outra maneira de ser. Se não está ninguém a olhar, é meu porque devia estar. Nem sequer contorno as regras, simplesmente ignoro-as, não porque não as perceba, mas porque sou estúpido e tenho imenso orgulho nisso. Os meus temas de conversa vão do futebol ás bebedeiras sem nenhum tema entre os dois, e rio-me á parva com isso. Porque sou parvo.

A vocês meus otários de merda,
meus grandes montes de chorume,
meus anti-sociedade....

Quero dar os meus parabéns....Não pode ter sido fácil sobreviver com a meia dúzia de neurónios que vos foi dada, e o mundo anda rápido demais. Injustiçados da vida, corram para onde puderem, porque se houver justiça no mundo....aliás, se a evolução da sociedade, como na Natureza, escolher os mais fortes: Folgo em dizer que serão os primeiros a desaparecer. Parasitas de merda, só vivem porque há quem faça...Ao menos deixavam o meu Luigi em paz.

2008/12/19

Ar fresco

Ar fresco. Finalmente... a escalada que me vinha atormentando chegou ao fim...Foi desgastante, irritante, desesperante por vezes. Agora já só sinto os pulmões repletos daquele sentimento de missão cumprida. Chegado ao cume, não sei se hei-de olhar para a frente ou para trás. De um lado recordo as fases em que as árvores milenares me impediam de ver o meu objectivo, rio-me das indecisões do caminho a tomar. Está tudo tão claro, agora. Consigo literalmente ver os percursos que escolhi e os que podia ter escolhido. Ainda por cima, conto com um dia de sol claro e céu limpo. Olhando em frente, vejo que me espera uma merecida descida, até ao próximo cume da Montanha. 

Os meus pés queixam-se, mas a minha cabeça nunca esteve tão tranquila. Sento-me então para apreciar a paisagem. Que lindo.....

Apercebo-me que gosto de caminhar.